
Visivelmente cansados, o
pai e o tio do menino Joaquim Ponte Marques, desaparecido há três dias em
Ribeirão Preto (SP), prestaram novos depoimentos na manhã desta sexta-feira (8)
na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Ao chegarem ao local, o tio, Felipe
Paes, criticou a ex-cunhada e o atual marido dela, os últimos a terem contato
com o garoto, afirmando que ambos não estão colaborando com o caso.

“Eu acho muito estranho
eles dizerem que estão preocupados, mas não aparecerem por aqui [na delegacia].
Eles só vêm aqui porque a polícia manda. A gente não dorme e eles estão em casa
descansando”, afirmou.
A mãe do garoto, Natália Ponte, e o padrasto,
Guilherme Longo, tiveram o pedido de prisão temporária negado pela Justiça na
tarde de quinta-feira (7) e permanecem na casa da família, de onde o garoto de
3 anos desapareceu misteriosamente, na madrugada de terça-feira (5). O Corpo de
Bombeiros informou que as buscas pela criança foram encerradas, até o
surgimento de novos indícios sobre o caso. Na quinta-feira, equipes passaram o
dia todo no Rio Pardo à procura de pistas.
Ainda na quinta-feira,
Felipe criticou a decisão da juíza da 2ª Vara Criminal de Ribeirão, Isabel
Cristina Alonso dos Santos, que negou o pedido de prisão, alegando que o casal
colabora com as investigações e não oferece risco de fuga. “A gente está há
três dias em frente ao DP [Distrito Policial] esperando uma juíza decretar a
prisão. Não, não dá a prisão. O cara [padrasto] está dormindo, na casa dele. É
certo isso?”, disse o tio do menino.
Felipe e o irmão, o
produtor de eventos Arthur Paes, pai de Joaquim, moram em São Paulo e estão
hospedados em um hotel próximo à delegacia desde terça-feira, quando receberam
a notícia do sumiço do garoto. Ao contrário do discurso amistoso dos últimos
dias, Arthur disse que também não concordou com a decisão da juíza, de negar a
prisão temporária de Natália e Longo.
"Eu não concordo, meu filho está sumido
há três dias, não tenho resposta. O menino precisa de tratamento médico,
precisa de ajuda e ninguém ajuda, ninguém fala nada. Não estou acusando
ninguém, eu só quero uma resposta. Eu preciso saber o que está acontecendo",
afirmou o pai do menino, visivelmente emocionado.
Arthur afirmou que está
tomando calmantes, mas tem conseguido dormir, em média, apenas duas horas por
noite. Na madrugada de quarta-feira (6), ele disse ter percorrido as principais
ruas do Centro da cidade, entregando panfletos com informações e foto do filho.
A ação se repetiu durante todo o dia em frente à delegacia, mesmo embaixo de
chuva.
"Eu estou perdido.
Eu quero uma resposta, eu preciso de uma resposta. Ou a juíza, sei lá, manda
para a Dilma [Rousseff], alguém precisa me ajudar, o governador de São Paulo. O
que eu não posso é ficar três dias plantado na porta de uma delegacia sem saber
do meu filho", disse o pai do menino.