Baretta diz que políticas públicas devem combater onda de homicídios em Teresina


 Baretta diz que não basta polícia, é preciso que as políticas públicas cheguem na periferia para controlar onda de violência e homicídios em Teresina
O delegado de Homicídios de Teresina, o bacharel de Direito Francisco Costa, o Baretta, afirma que para controlar a onda homicídios e violência na cidade, onde 11 pessoas foram executadas nos primeiros dez dias de 2014, não basta a polícia, é preciso que as políticas públicas chegem na periferia.

“Quando a gente chega em uma vila percebe que de uma hora para outra criam uma vila, irresponsavelmente, São políticos irresponsáveis, que não dão a mínima estrutura. A vila está lá sem nenhum centro social, não tem uma quadra de esportes, não tem uma creche, não tem nada. Um dia desses eu fui atender uma ocorrência em uma vila chamada Dilma Rousseff e eu vi uma verdadeira convulsão social. Quando eu estou falando de políticas públicas estou falando de ação social. Nós temos uma Secretaria de Assistência Social no Estado, no município e na União. Eu sou de uma família pobre, tenho o couro grosso, mas fiquei arrepiado de ver tanta miséria, tanta pobreza. Menina de 10 anos, 13 anos com o buchão, sujeitos sentados nas portas com a cara de viciado, sem nenhum estímulo na vida, sem nenhum futuro. O que estão fazendo e o que estão deixando de fazer na saúde, na educação, na área social. Tem que levar educação, saúde, ação social, levar lazer”, disse Baretta, em entrevista ao Jornal Meio Norte.

Meio Norte – Como o senhor vê a criação do Grupo Tático da Polícia Civil?

Francisco Costa – Nós precisamos de bons investigadores, investigadores abalizados. Cabe a nós investigar. Temos que ter policiais em todos os cantos da Polícia Civil para investigar qualquer tipo de delito, mas o princípio da especialização fala que tem que ter órgãos especializados, mas passar para o grupo tético significa que eu tenho tirocínio, tenho sensibilidade algum tipo de delito? É como um investigador que trabalho com homicídios. Ele tem que ser um homem vocacionado, ir ao local do crime, acompanhar ao autópsia, ir ao IML, ouvir as testemunhas, sentir, traçar um perfil da vítima e do criminoso.

Meio Norte – Levantamento no Instituto Legal (IML) mostra que 20 pessoas foram executadas nos primeiros dez dias deste ano. O que está acontecendo em Teresina?

Francisco Costa – Nós estamos nos dez primeiros dias do ano e já estamos com 21 homicídios. Eu não sei dizer o que está acontecendo. Eu sei que a polícia está cumprindo a parte dela. A polícia está dando a resposta. É tanto que o secretário de Segurança teve que instalar a Delegacia de Homicídios com estrutura para investigar esse tipo de delito. Agora eu tenho que dizer que o crime de homicídio é o mais ordinário da face da terra, é o crime-rei, é o crime que causa maior eco na sociedade. É um crime que para prevenir é difícil porque é uma questão de personalidade, porque você não pode entrar na alma do criminoso. Em todas as sociedades históricas, nós tivemos crimes. O primeiro crime está lá, estampado na Bíblia. Qual foi? Foi morte de Abel por Caim. Só a polícia não vai resolver o problema. Eu dou um exemplo claro. O presidente Kennedy, estava cercado do FBI e da CIA, mas um homem foi lá e o matou. Em Teresina, durante o Natal dois homens morreram quando as famílias estavam se confraternizando e durante uma discussão, um matou o outro. Agora 99% dos crimes acontecidos em 2014 se repetem ao que foi feito em 2013. A maioria desses crimes tem relação com o tráfico ilícito de entorpecentes. Não se pode só mandar polícia para resolver o problema. Nós precisamos de políticas públicas. A polícia está cumprindo o dever dela, está prendendo, está prevenindo, está dando a resposta, está representando pelas prisões. Tem muitos pedidos de prisões preventivas aguardando a apreciação do Ministério Público e da Justiça, do próprio magistrado.

Meio Norte – O que detonou essa série de mortes relacionadas com o tráfico?

Francisco Costa – Não existe nenhum fato dessa natureza que unifique. Há uma morte na zona Norte, há uma morte na zona Sul e outra na zona Leste de Teresina. Não há uma concentração por zona, há uma pulverização do crime. Por que? Porque Teresina está cheia do tráfico dr drogas, do tráfico de entorpecentes.

Meio Norte – Mas matam por causa de dívidas, por causa de disputas por pontos de venda dr drogas?

Francisco Costa – Matam por causa de dívida de drogas, matam porque querem dominar o território que é controlado por outro traficante, matam por ciúme porque o outro traficante está vendendo mais drogas. Há uma série de fatores, matam simplesmente porque a vítima namorou com a mulher do chefe do tráfico ou porque o homem olhou para a mulher dele, há u,ma série de coisas. Para esses indivíduos que usam drogas, que vendem drogas abertamente, a vida para eles não têm nenhum valor. São indivíduos insensíveis, mas nós não podemos permitir. Agora que acho que a razão disso aí é a falta de políticas públicas. Porque o que eu vejo é a polícia apanhando. A polícia é o primo pobre. Se solta todos os dias as pessoas que matam e são presas. São presas e são soltas. Outro indivíduo que matou um garçon, que tem vários processos, não passou duas horas na prisão. Ele vou solto simplesmente porque o promotor de Justiça, que deveria estar no local para receber o documento não estava lá. O juiz libertou para respeitar a lei. Nós também respeitamos a lei. Falta estrutura para a polícia combater o crime? Não. É insuficiente? É insuficiente em todos os lugares. O que nós não podemos deixar de falar e perguntar, já que tem que ter um elo de combate a tudo, onde é que está a Câmara de Combate ao Crack? Cade a ação social. Não estou eximindo de meu trabalho, não. Muito pelo contrário, na Delegacia de Homicídios, nós estamos encontrando a autoria, estamos fazendo o nosspo trabalho, como a Polícia Militar também está prendendo, mas acho que tem ser feito todo um, trabalho com o Ministério Público, magistratura, ação social, tudo. Não podemos pensar que só polícia vai resolver, que não vai, não. A polícia é o último repositório de toda essa engrenagem no momento difícil como esse.

Meio Norte – Os órgãos governamentais têm que agir?

Francisco Costa – Quando a gente chega em uma vila percebe que de uma hora para outra criam uma vila, irresponsavelmente, São políticos irresponsáveis, que não dão a mínima estrutura. A vila está lá sem nenhum centro social, não tem uma quadra de esportes, não tem uma creche, não tem nada. Um dia desses eu fui atender uma ocorrência em uma vila chamada Dilma Rousseff e eu vi uma verdadeira convulsão social. Quando eu estou falando de políticas públicas estou falando de ação social. Nós temos uma Secretaria de Assistência Social no Estado, no município e na União. Eu sou de uma família pobre, tenho o couro grosso, mas fiquei arrepiado de ver tanta miséria, tanta pobreza. Menina de 10 anos, 13 anos com o buchão, sujeitos sentados nas portas com a cara de viciado, sem nenhum estímulo na vida, sem nenhum futuro. O que estão fazendo e o que estão deixando de fazer na saúde, na educação, na área social. Tem que levar educação, saúde, ação social, levar lazer.

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