
Um levantamento feito por economistas a pedido do
G1 aponta que, em 2013, a poupança rendeu 6,3% pelas regras antigas (alteradas
em maio de 2012) e 5,8% pelas novas (para aplicações feitas a partir de maio
daquele ano). As Letras Financeiras do Tesouro (LFT), um dos títulos do Tesouro
Direto, com vencimento em 2017, renderam 7,06%, já com o desconto do Imposto de
Renda.
Na outra ponta, o Ibovespa, principal índice da
Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), fechou o ano com perda
acumulada de 15,5%. O ouro caiu 17,4% em 2013 (preço do contrato futuro padrão
da BM&F Bovespa, considerando a barra de 250 gramas), de acordo com dados
da Pioneer Corretora.
O ano passado também foi marcado pelo retorno da
alta da taxa básica de juros (Selic) à economia brasileira, mas com a economia
mundial ainda frágil por resquícios da crise financeira mundial de 2008, o que
trouxe volatilidade a investimentos de maior risco, como ações.
"Sempre que a gente tem um cenário de alta de
inflação, isso complica mais a vida do investidor. Então, para você conseguir
um ganho real, precisa assumir mais riscos. Quem estava em bolsa não conseguiu.
Quem estava em um título pré-fixado [do Tesouro Direto] também não conseguiu,
por conta do aumento da taxa de juros. Quem conseguiu foi quem entrou na poupança,
pouca coisa; quem estava em uma LFT [outro título do Tesouro Direto] ou em um
Fundo de Investimento DI com uma baixa taxa de administração", explicou o
diretor da corretora Easynvest, Amerson Magalhães.
Tesouro Direto
Sem altos riscos, a LFT é um título do Tesouro
Direto adequado para quem tem o perfil conservador, avalia Magalhães. O
rendimento de 7,06% em 2013 é referente a títulos com vencimento em 2017. Isso
porque o governo emite diversos tipos de títulos com vencimentos em anos
variados e rendimentos diferentes.
"A LFT acompanha a Selic. A característica
dela é acompanhar a taxa de juros. É menos arriscada (....). O risco que se
corre é ter a inflação muito alta e a taxa de juros não acompanhar a
inflação", afirmou.
Magalhães explicou, contudo, que há outros títulos
do governo adequados para diferentes perfis. Um deles é indicado para se
proteger da inflação, como a NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B).
"Essa é a melhor forma de você se proteger da inflação hoje. Ela paga a
inflação mais a taxa de juros, que flutua bastante".
O especialista salientou, contudo, que, no caso dos
títulos do Tesouro Direto, o recomendado é só retirá-los no ano do vencimento.
Na quinta-feira (9), por exemplo, a NTN-B com o menor prazo de retirada
oferecido pelo governo era de 2020. Quem comprar e resolver tirar antes, porém,
pode se dar mal. No ano passado, por exemplo, a NTN-B com vencimento em 2017
fechou com recuo de 1,6%.
Poupança
O investidor que resolveu deixar o dinheiro na poupança
em 2013 teve leves ganhos com relação à inflação. O rendimento foi de 6,3%
pelas regras da poupança antiga (para aplicações feitas até 3 de maio de 2012)
e de 5,8% pelas novas (para aplicações a partir de 4 de maio de 2012).
Com a mudança das regras de remuneração da
poupança, o rendimento passou a ser atrelado aos juros básicos da economia,
rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial (TR), quando a taxa básica
fixada pelo Banco Central estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano. Para aplicações
feitas antes de 4 de maio de 2013, ou quando os juros da economia estiverem
superiores a 8,5%, a poupança rende de acordo com a regra antiga: 6,17% ao ano,
mais a variação da TR. A TR é uma taxa calculada a partir da média de
rendimentos dos Certificados de Depósito Bancário (CDB).
Fundos
Em relação aos fundos de investimentos, os
economistas alertam ser difícil apontar qual foi o rendimento, pois eles variam
muito de acordo com a taxa de administração cobrada, o tipo de fundo e o valor
aplicado.
Segundo Fabio Gallo Garcia, professor de finanças
da Fundação Getúlio Vargas (FGV), fundos DI (atrelados ao Certificado de
Depósito Interbancário, o CDI), por exemplo, apontaram um rendimento líquido
(já com o desconto do Imposto de Renda) de 6,29% no ano passado, em média.
"Quem aplicou em CDB ou Fundos DI com baixa
taxa de administração e volumes grandes de dinheiro teve ganhos superiores à
caderneta de poupança antiga, aí depois veio [em ganhos] a caderneta de
poupança nova", explica Garcia. No caso do CDB, para quem investiu mais de
R$ 100 mil, por exemplo, o ganho médio foi de 6,29%, segundo o professor da
FGV. "Agora, fundos de renda fixa e outros tipos de fundo com taxa de
administração mais alta caíram na faixa de 5,2%", aponta.
Por conta da grande diferença entre os rendimentos
dos fundos, os economistas alertam que o investidor deve pesquisar bastante o
banco e as taxas antes de fazer o investimento. "Nos fundos de
investimento em renda fixa, há uma discrepância muito grande, porque depende da
taxa de administração que o fundo cobra (...). Às vezes, os aplicadores não dão
muita atenção à taxa de administração", diz o matemático José Dutra Vieira
Sobrinho, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon) de São Paulo.
FGTS
Sobre o rendimento do FGTS, que fechou 2013 em
3,15% (bem abaixo da inflação), o matemático Dutra salienta que, de fato, o
resultado não foi bom. "Aplicadores do FGTS, como sempre tem acontecido,
claro que tiveram perda real considerável", afirma.
Por conta desse cenário, Magalhães, da corretora
Easynvest, sugere que, quando possível, seja usado o dinheiro do fundo para
aquisição de um imóvel, que é a única forma de resgatar o FGTS sem que a pessoa
precise se aposentar ou ser demitida do emprego.
TÓPICOS poupança, dólar, inflação